Brasil terá coração de D. Pedro I nas comemorações da independência
Relíquia chega ao país nesta segunda-feira
Relíquia chega ao país nesta segunda-feira
O Brasil receberá, em meio às comemorações de 200 anos da
independência, o coração de D. Pedro I, seu primeiro imperador. A chegada
do “símbolo dos afetos históricos entre Brasil e Portugal”, segundo o
embaixador George Monteiro Prata, do Itamaraty, está prevista para
esta segunda-feira (22).
“O coração do imperador será recebido com todas as honras de
Estado, seguindo o mesmo ritual dispensado durante as visitas de chefes de
outros países. Ele será tratado como se D. Pedro I estivesse vivo entre
nós”, acrescentou o chefe do cerimonial do Itamaraty, ministro Alan Coelho de
Selos. Entre a chegada e a cerimônia programada para o dia seguinte no Palácio
do Planalto, o coração ficará guardado no próprio Itamaraty
As solenidades terão início no dia 23 e incluem
cerimônia de chegada ao Palácio do Planalto, com direito à subida na rampa em
meio a honrarias militares, inclusive a participação dos Dragões da
Independência e a apresentação de hinos. “Entre esses hinos está o
Hino Nacional, que foi composto pelo próprio D. Pedro I”, explicou o ministro
Selos.
Após a cerimônia no Planalto, o coração do imperador
volta para o Itamaraty, onde ficará exposto inicialmente a autoridades e
convidados do corpo diplomático, na Sala Santiago Dantas, climatizada para
servir de exposição e cripta. Entre os convidados estão integrantes da família
imperial.
Para o dia 24, está programada visita especial da imprensa
ao local. “Nos dias seguintes, será aberto a visitas agendadas de estudantes
das escolas do Distrito Federal, sobretudo públicas. Nos fins de semana, a
visitação será aberta ao público, em geral turistas que costumam visitar o
palácio”, acrescentou Selos.
Negociações
O embaixador Monteiro Prata foi um dos coordenadores
indicados pelo Itamaraty para participar das negociações, com o objetivo de
trazer ao Brasil o coração do imperador para as comemorações do
bicentenário da independência.
As missões brasileiras a Portugal tiveram de negociar com a
Câmara Municipal da cidade do Porto, a quem o coração do imperador foi doado em
agradecimento ao apoio político dado pela província nas questões envolvendo a
sucessão ao trono português. Também foram necessárias negociações com a Igreja
Nossa Senhora da Lapa, a quem cabe a guarda do coração.
“Após a aprovação unânime da assembleia municipal, tivemos
de acertar muitos detalhes técnicos para transporte e guarda, a fim de garantir
a integridade do órgão”, diz Monteiro Prata.
Entre os pedidos feitos pelos portugueses está o de que
o coração não seja transportado como carga, mas na cabine de passageiros.
Para garantir que a relíquia continue em boas condições, diversos procedimentos
serão adotados, de forma a garantir condições adequadas de temperatura, pressão
e iluminação.
Cripta e urna
O órgão, com cerca de nove quilos, só poderá ser visto
quando estiver no interior da cripta montada no Itamaraty, dentro de uma
cápsula de vidro. Nas ações externas, a cápsula estará dentro de uma
âmbula (espécie de cálice) de prata dourada, revestido por uma urna de madeira.
No Brasil, o coração de D. Pedro I será acompanhado pelo
presidente da Câmara Municipal do Porto, cargo que equivale ao de prefeito, no
Brasil. Em solo brasileiro, a proteção ficará a cargo da Polícia Federal e
das Forças Armadas.
No dia 7 de setembro, data da independência do Brasil,
o coração estará em um evento, ao lado de outros chefes de Estado convidados. O
retorno a Portugal está previsto para o dia 8 de setembro, chegando no dia
9 à cidade do Porto.
Símbolo de afeto
O Itamaraty não sabe precisar o gasto total para trazer a
relíquia ao Brasil, mas garante que os custos não foram altos, ficando próximos
aos geralmente feitos com visitas de chefes de Estado.
“Termos o coração de D. Pedro I conosco, nas comemorações de
200 anos de independência, é algo cujo significado varia de pessoa para pessoa.
Cada brasileiro terá sua maneira de ver o que isso tudo vai significar”,
disse o embaixador Monteiro Prata.
“Mas, como todos sabemos, o coração é um símbolo sentimental. Nesse caso, o símbolo da herança e do afeto entre portugueses e brasileiros”, completou.
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